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VIII - A Misericórdia de Deus - Deus mantém e espera



Uma decisão do Senado Romano – No ano de 70, sob Vespasiano imperador, reuniu-se o Senado romano a fim de decidir que denominação se devia dar ao Deus supremo. E um Senador disse:


- Deve-se chamar Deus de potência.


E um outro disse:


- Não, é melhor chamá-Lo de Deus de sabedoria.


E um terceiro:


- O nome mais adequado seria Deus de justiça.


Finalmente se ergueu um Senador velho e venerando disse:


- O nome mais próprio é este: Deus de bondade.


Depois mostrou uma imagem do Senhor de semblante amável, com estas palavras escritas em torno: “Eu amo a todos vós; perdoo a todos vós, pois sou o Deus da bondade e do amor”.


- "Eis o verdadeiro nome” – gritaram então todos os senadores.


***


Queridos filhos, também eu estou aqui, para dizer-vos que dentre todos os atributos de Deus (grandeza, potência, sabedoria, justiça), o que mais se manifesta é a bondade e a misericórdia. Se estais apavorados ante as meditações do pecado, do Juízo e do inferno, agora tendes motivo para consolar-vos e esperar, considerando a Misericórdia de Deus. Vereis como esta é grande para com os pecadores:


1- No esperá-los;

2- No procurá-los;

3- No acolhê-los.


I – A partida (Deus mantém e espera)


Um homem tinha dois filhos. O menor deles um dia se apresentou ao pai e disse com arrogância:


- Dai-me parte da herança que me toca: estou cansado de ficar em vossa casa e quero ir para longe daqui.


Imaginai a dor desse pobre pai!


- Mas por que queres fazer isso? Porventura te falta alguma coisa? Não te tratei sempre bem? – disse o bom velho.


E o rapazola:


- Não, não. Aqui não quero ficar mais; dai-me a minha parte...


Aí o pai dividiu com ele os haveres; e o desgraçado filho voltou-lhe as costas vilmente sem ao menos lhe dizer adeus; e, feito o embrulho do seu quinhão, foi para um lugar distante: Congregatis omnibus, profectus est in regionem longinquam (Lc 15,13).


II – Paremos um momento a considerar.


Quem é esse Pai bondoso? É Deus. E esse filho desnaturado, quem é? É o pecador que, cansado de gozar a paz, enojado das graças, dos favores e das carícias de seu Deus, quer abandoná-Lo; para entregar-se nos braços do demônio com os pecados. E diz: “Que me importa a mim Deus e sua lei? Quero viver à minha vontade; quero a liberdade”.


Oh! Sim! Bela liberdade quando se é escravo do demônio! Ouve bem o pecador a voz de Deus que lhe diz ao coração: “Não, querido filho, não terás felicidade longe de mim, com o pecado se está mal demais!... É uma vida sem a graça....”.


Depois vem a consciência e lhe diz: “Essas ideias... essas conversas... essa desonestidade... essa vingança... blasfêmias... desobediências... tornar-te-ão infeliz”...


“Mas como? Quero os meus bens: os olhos, o corpo, o coração, para fazer o que me agrada...” – pensa o pecador.


E eis a rebeldia do pecador contra Deus. Mas poderia o Senhor fulminá-lo imediatamente? Sim, poderia: basta apenas que dê a permissão às criaturas, à terra, à água, ao fogo, para vingar-se desse pecador.


A terra diz: Senhor, se quereis eu escancaro os meus abismos para o engolir. A água diz: Senhor, se o quereis eu o afogo. O fogo diz: Senhor, se o quereis eu com as chamas o incinero... Mas Deus é pai bondoso e misericordioso que mantém e espera os pecadores que se afastam dele. Ele não deseja a morte do ímpio, mas sim que se converta e viva: Nolo mortem impii, sed ut convertatur, et vivat (Ez 33,11).


Davi e Absalão – Absalão, filho do rei Davi, rebelou-se contra seu pai. E Davi foi obrigado a mandar contra ele o seu exército. Mas Davi não esqueceu que era seu pai. Por isso, quando os capitães esboçavam enfado e esperavam só o momento de se vingar de Absalão, ele se pôs na porta onde passavam as fileiras de soldados, e gritou aos capitães:

- Ide, pois, contra os inimigos e derrotai-os, mas, por caridade, salvai a vida de meu filho Absalão: Servate mihi puerum Absalon (2 Rs 18,5).


***


Assim, quando as criaturas querem vingar-se sobre o pecador e destruí-lo, Deus misericordioso lhes diz: “Não! Deixai-o viver ainda; poupai-o, para que possa converter-se: Nolo mortem impii, sed ut convertatur et vivat” (Ez 33,11).



(Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino,

Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)

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